A história de Ícaro na mitologia grega


Na mitologia grega, Ícaro era filho do artesão Dédalo. Aprisionados em uma alta torre, eles tentaram escapar do local com o auxílio de asas feitas de pena e cera. Contudo, Ícaro voou muito próximo do sol e suas asas derreteram, o que fez com que ele caísse e morresse.

Pintura "O voo de Ícaro" por Jacob Peter Gowy (1636 - 1638)
Pintura "O voo de Ícaro" por Jacob Peter Gowy (1636 - 1638)

O mito de Ícaro foi contado ao longo dos anos na civilização grega para ensinar lições como o perigo dos homens de tentarem se aproximar dos deuses, a importância de ouvir os conselhos de pessoas mais velhas e também sobre o valor da humildade. 

O exílio de Dédalo para a Ilha de Creta

Dédalo é apresentado na mitologia grega como um dos maiores e mais inteligentes artesãos que já pisaram na terra. Ele vivia e trabalhava em Atenas, realizando diversos serviços relacionados à arquitetura, escultura e construções inovadoras. É dito que suas esculturas eram tão realistas que o herói Hércules certa vez confundiu uma delas com uma pessoa de verdade. 

Pintura "Dédalo e Ícaro" por Charles Le Brun (1645)
Pintura "Dédalo e Ícaro" por Charles Le Brun (1645)

Este exímio inventor tinha como aprendiz o seu sobrinho. Em algumas versões seu nome aparece como Talus, em outras, Perdix. O jovem em questão começou a apresentar um talento extraordinário para invenções, o que causou a fúria e a inveja de Dédalo. Um dia, quando visitavam a Acrópole de Atenas, Dédalo o empurrou da montanha e o matou. 

Na sociedade ateniense, os crimes eram julgados através de uma corte. Dédalo foi condenado por assassinato e a sua punição foi o exílio de Atenas para a cidade de Creta. Na ilha, o inventor logo se tornou um dos principais arquitetos e inventores para o rei Minos. 

Minos era casado com Pasífae, que tinha recebido uma maldição de Poseidon: ela eventualmente se apaixonaria por um touro. 

O labirinto do minotauro e a punição para Dédalo e Ícaro

O Labirinto do Minotauro
Piso de mosaico apresentando o labirinto do minotauro. Parque Arqueológico de Paphos (Século 2-3 d.C).

Em Creta, Dédalo continuou a desafiar os limites humanos, realizando invenções que iriam ajudar os homens a controlarem ainda mais a natureza. Dentre as invenções, estava a vela e o mastro para as navegações. 

A esposa do rei Minos, Pasífae, pediu o auxílio de Dédalo para seduzir o touro branco por quem estava apaixonada. Dédalo construiu uma escultura de vaca, feita de madeira para que ela conseguisse se aproximar do touro e ter relações com ele. Do fruto dessa paixão proibida nasceu o mitológico minotauro, um ser metade humano, metade touro. 

Furioso, o rei Minos pediu que Dédalo construísse um elaborado labirinto para aprisionar o minotauro. O labirinto criado era tão complexo que o próprio Dédalo teve dificuldade em sair de lá. Minos também estava furioso por Dédalo ter ajudado Pasífae a se aproximar do touro branco e, como punição, aprisionou Dédalo e seu filho Ícaro na torre mais alta de Creta. 

Em algumas versões do mito, Dédalo e Ícaro ficaram aprisionados no próprio labirinto; em outras, eles foram mandados para a torre. Outro motivo para aprisionar os dois homens, era para proteger o segredo do labirinto. Dessa forma, ninguém saberia como escapar de lá. 

A queda de Ícaro 

Pintura "Ícaro e Dédalo" por Charles Paul Landon (1799).

Ícaro e seu pai Dédalo estavam definhando em sua prisão e começaram a pensar em planos para sair de lá. Dédalo logo percebeu que a única maneira de escapar era pelo ar, tendo em vista que todas as outras passagens estavam guardadas pelo rei Minos. 

Dédalo observou o comportamento dos pássaros no céu e logo teve a realização de construir asas para ele e para o seu filho. Por um longo período de tempo, ele recolheu penas de pássaros e as juntou com cera. Finalmente, conseguiu construir dois pares de asas que possibilitariam a fuga. 

O dia da fuga tinha chegado e Dédalo deu um importante conselho à Ícaro. Ele disse que seria arriscado voar muito próximo ao sol, pois as asas poderiam derreter. Também era arriscado voar muito próximo ao mar, pois as asas poderiam umedecer. 

Pintura "O Lamento de Ícaro" por H. J. Draper (1898).
Pintura "O Lamento de Ícaro" por H. J. Draper (1898).

Logo que começou a voar, Ícaro se esqueceu dos conselhos do seu pai e entusiasmado com a experiência sobre-humana que estava vivendo voou muito próximo ao sol. Suas asas derreteram e ele acabou caindo no mar. Ícaro se afogou e morreu no local.

Significado do mito de Ícaro

O mito de Ícaro foi contado através de gerações dentro da civilização grega. Dentro desta história, os gregos tiraram diversas lições que eram passadas especialmente para os mais jovens. 

Dentre os significados e lições contidas no mito de Ícaro estava o perigo de desafiar os deuses, pois as invenções de Dédalo desafiavam o Olimpo. Sua criação mais imponente foram as asas que possibilitaram com que ele e seu filho voassem pelos céus. 

Outra lição contida no mito de Ícaro é a importância de ouvir e respeitar os seus pais. Quando Ícaro desafiou os conselhos de Dédalo, ele acabou voando muito próximo ao sol, o que custou a sua vida. 

A expressão “voar muito próximo do sol” é também uma clara referência a este mito e pode ser utilizada como um aviso para uma pessoa que está tomando altos riscos. 

Memória de Ícaro: a ilha Icária e o mar Icário 

Mar Icário
Foto do mar Icário, parte do mar Egeu no Mar Mediterrâneo.

Na história mitológica, quando as asas de Ícaro derreteram e ele caiu no mar, o local começou a ser chamado de mar Icário. Este mar faz parte do mar Egeu, que por sua vez está localizado dentro do mar Mediterrâneo. Diversas referências à força do mar Icário podem ser encontradas nas obras de Homero e Horácio, grandes escritores épicos. 

Uma ilha chamada de Icária também foi batizada em referência ao mito de Ícaro. Ela está localizada no mar Egeu setentrional e é especialmente conhecida pela expectativa de vida de seus habitantes. Grande parte da população possui mais de 90 anos e a ilha começou a ser descrita como “o céu da longevidade”. 

Este conteúdo utilizou pesquisas encontradas em: Greek Mythology, Greeka e Ted-Ed

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