As nove musas da mitologia grega e o que elas representam na arte


Calíope, Clio, Érato, Euterpe, Melpômene, Polímnia, Terpsícore, Tália e Urânia eram as nove musas de acordo com a  mitologia grega. Filhas de Zeus e da titânide Mnemósine (deusa da memória), elas eram a personificação do conhecimento e das artes, especialmente da dança, da literatura e da música. 

Pintura "Contesa tra le Muse e le Pieridi dettaglio" - Tintoretto (entre 1539 e 1594)
Pintura "Contesa tra le Muse e le Pieridi dettaglio" - Tintoretto (entre 1539 e 1594)

As nove musas eram representadas como belas jovens que nasceram com o objetivo de agraciar o mundo antigo e levar inspiração para o conhecimento e às artes. A palavra museu, local de preservação da arte, surgiu da palavra Museion, termo utilizado para se referir ao local onde as musas se encontravam. 

Calíope (Musa da Poesia Épica) 

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Detalhe da pintura "As Musas Urânia e Calíope" - Simon Vouet (1634).

Em grego, o nome Calíope significa “a de bela voz”. Ela era a musa representante da poesia épica e a deusa da eloquência. De acordo com o poeta grego Hesíodo, Calíope era a musa mais importante entre as nove irmãs, pois ela atendia príncipes adorados. 

Essa musa era também a mãe do personagem Orfeu, um músico e poeta que aparece em diversas histórias da mitologia grega. Calíope é geralmente representada com uma coroa de ouro e carregando uma tabuleta ou um livro em sua mão, o que representava a poesia épica. 

Clio (Musa da História) 

Pintura "Clio - Musa da História" -  Johannes Moreelse (antes de 1634).
Pintura "Clio - Musa da História" -  Johannes Moreelse (antes de 1634).

O nome Clio em grego significa “a que confere fama” ou “celebração”. Essa musa é geralmente representada com um pergaminho aberto ou sentada ao lado de livros. Em algumas pinturas, ela também aparece com uma trombeta e com um livro intitulado de Tucde. 

Como proclamadora e glorificadora da história, Clio é hoje um sinônimo para várias marcas modernas, como os Prêmios Clios por excelência em publicidade. A Sociedade de História da Universidade de Cambridge na Inglaterra é também conhecida informalmente como Clio, em referência à musa da história. 

Érato (Musa da Poesia Lírica) 

Pintura "Erato" - Simon Vouet (1590-1649)
"Erato" - Simon Vouet

Essa musa é geralmente representada segurando um instrumento musical antigo conhecido como lira. Érato significa “adorável” ou “amada” em grego e a musa representava a poesia lírica, em especial, à poesia ligada ao amor e ao erotismo. 

Em algumas representações artísticas, esta musa também aparece acompanhada de Eros, também conhecido como Cupido, deus do amor e erotismo. 

Euterpe (Musa da Música) 

Pintura "Euterpe - Musa da Música" - Simon Vouet (1590 - 1649)
Pintura "Euterpe - Musa da Música" - Simon Vouet (1590 - 1649)

Na mitologia grega, Euterpe era conhecida por entreter os deuses do Monte Olimpo com sua música e alegria. Em grego, seu nome significa “doadora dos prazeres” ou “doadora dos deleites”. 

Euterpe inspirou diversos poetas, autores e dramaturgos e é, geralmente, representada tocando um aulos, instrumento musical de sopro que se assemelha a uma flauta dupla. 

Melpômene (Musa da Tragédia) 

Pintura "A Musa Melpômene" - Nicolas-René Jollain (1732 - 1804)
Pintura "A Musa Melpômene" - Nicolas-René Jollain (1732 - 1804)

De acordo com a mitologia grega, Melpômene foi inicialmente a musa do canto, mas depois se tornou a musa da tragédia. A tradição das peças teatrais trágicas foi muito importante ao longo da história da Grécia Antiga e aparece com frequência ao longo dos mitos. 

Em grego, o nome Melpômene carrega os significados relacionados ao canto e à dança. Os poetas que realizavam peças trágicas, frequentemente pediam inspiração a esta musa, que era também a mãe de várias sereias. Ela é geralmente retratada utilizando uma “máscara trágica”, o maior símbolo da tragédia grega. 

Polímnia (Musa da Poesia Sacra) 

Pintura "Polímnia" - Simon Vouet (data desconhecida)
Pintura "Polímnia" - Simon Vouet (data desconhecida)

O significado do nome desta musa em grego é “a de muitos hinos”. Polímnia era a representação da poesia sagrada, dos hinos sagrados e da narração de histórias. Em alguns documentos, ela é também creditada como a musa da geometria e da meditação. 

Sua representação na arte é geralmente mais séria, normalmente pensativa ou em estado de meditação, levando um dedo à boca ou a frente do rosto. Essa musa é mencionada no poema épico de Dante, a Divina Comédia, e também aparece como referência em várias obras de ficção mais modernas. 

Terpsícore (Musa da Dança) 

Pintura "Terpsícore" - Jean-Marc Nattier  (1739)
Pintura "Terpsícore" - Jean-Marc Nattier  (1739)

Em grego, Terpsícore significa “a que adora dançar” ou “prazer em dançar”. Esta era a musa relacionada à dança e ao canto coral. Ela é geralmente representada em poses de dança e segurando uma lira. 

De acordo com a mitologia grega, essa musa foi a responsável por inventar a dança, o instrumento musical chamado de Harpa e a educação. 

Tália (Musa da Comédia) 

Pintura "As Noves Musas - Tália (Comédia)" - Johann Heinrich (1771)
Pintura "As Noves Musas - Tália (Comédia)" - Johann Heinrich (1771)

Musa da comédia e da poesia idílica, Tália em grego significa “a alegre” ou “a florescente”. Em algumas histórias da mitologia grega, essa musa teve um relacionamento com o deus Apolo e juntos tiveram filhos conhecidos como Coribantes, divindades menores relacionados aos rituais de dança e frenesi. 

Tália é geralmente retratada na arte como uma jovem alegre, que utiliza uma coroa de hera, vestindo botas e carregando uma máscara cômica na mão. 

Urânia (Musa da Astronomia e Astrologia)

Pintura "As Musas Urânia e Calíope" - Simon Vouet (1634).
Pintura "As Musas Urânia e Calíope" - Simon Vouet (1634).

Os astrônomos e astrólogos da Grécia Antiga pediam inspiração e ajuda à musa Urânia, que era responsável pela astronomia e pelos  escritos astronômicos. De acordo com a mitologia grega, ela tinha o poder de prever o futuro ao observar a organização das estrelas, tendo ganhado este poder de seu pai, Zeus. 

Em grego, Urânia significa “celestial” ou “do céu” e a musa é geralmente representada utilizando uma coroa de estrelas, um globo e outros instrumentos de matemática. 

O nascimento das 9 musas da mitologia grega

De acordo com a mitologia grega, as musas foram concebidas após Zeus e a deusa da memória Mnemósine se relacionarem por nove dias consecutivos. Isso ocorreu após a lendária vitória dos deuses do Olimpo contra os Titãs. 

Zeus se relacionou com Mnemósine com o objetivo de dar luz a estas divindades que iriam celebrar a vitória do Olimpo e inspirar a humanidade para o conhecimento e às artes. Em alguns registros, as musas também são retratadas como ninfas aquáticas e elas aparecem na arte em locais como lagos e rios, e por vezes, acompanhadas do deus Apolo, cantando e dançando. 

A representação das musas na arte e na literatura 

Pintura "As Nove Musas com Apolo aparando as asas de uma sereia" - Seguidor de Maarten de Vos (1532 - 1603)
Pintura "As Nove Musas com Apolo aparando as asas de uma sereia" - Seguidor de Maarten de Vos (1532 - 1603)

Existem menções às musas nos poemas épicos de Homero, considerado uma das maiores fontes relacionadas às histórias da mitologia grega. No entanto, foi o poeta Hesíodo que apresentou pela primeira vez os nomes das nove musas em seu poema mitológico Genealogia dos Deuses

Foi com o início dos movimentos artísticos conhecidos como Renascimento e Neoclassicismo que as musas começaram a ser representadas com certos padrões e símbolos. A partir de então, cada uma delas era facilmente identificada com um nome e uma imagem associada à sua arte.  

As musas foram representadas em esculturas e pinturas segurando certos adereços, também chamados de emblemas, sendo mencionadas na literatura, na poesia e na música até os dias de hoje. 

O culto às musas na Grécia Antiga

Os locais mais comuns de culto às musas eram associados às fontes e nascentes. As pessoas que cultuavam as musas na Grécia Antiga realizavam festivais, onde liam poesia e faziam sacrifícios em nome destas divindades. 

No século 18, com a ascensão do Iluminismo, aconteceram diversas tentativas de retornar com o culto às musas. Figuras históricas como Benjamin Franklin e Voltaire estavam, por exemplo, associados à uma loja maçônica de Paris chamada “as nove irmãs” ou “as nove musas”. 

Hoje, o legado das musas da mitologia grega está relacionado com a sua etimologia e podem ser encontradas como referência em textos, na cultura popular e na academia moderna.

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