As 14 cobras mais venenosas do mundo!


Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), ocorrem anualmente 5,4 milhões de picadas de cobra em seres humanos. Entre 80 mil e 140 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de acidentes com cobras, sobretudo na África e na Ásia. Apesar de seres animais fascinantes, as cobras são perigosíssimas. 

1. Taipan-do-interior: a cobra mais venenosa do mundo!

taipan do interior

Nome científico: Oxyuranus microlepidotus
Localização: Austrália

Também conhecida como taipan-do-oeste, essa serpente australiana é dona do veneno mais poderoso dentre todas as cobras do planeta. Sua picada é letal em 80% dos casos, o que significa que ser mordido por uma taipan-do-interior é quase sinônimo de morte certa.

O veneno dessa cobra possui uma toxina chamada taipoxina, responsável por provocar hemorragia nos tecidos musculares e nos vasos sanguíneos. A taipoxina também afeta gravemente a respiração da pessoa intoxicada, podendo levar à morte em questão de minutos.

A boa notícia para os australianos é que essa cobra, além de ser relativamente tímida, vive em lugares remotos, e o contato com seres humanos não é muito frequente. Por isso, embora seja a cobra mais venenosa do mundo, não é a mais perigosa.

2. Cobra-marrom: a mais mortal da Austrália

cobra marrom

Nome científico: Pseudonaja textilis
Localização: Austrália e Nova Guiné

A cobra-marrom, também chamada de cobra-marrom-oriental, é fisicamente semelhante à taipan, mas um pouco menos venenosa. Essa espécie é encontrada sobretudo no leste da Austrália, em matagais, florestas e pastagens. Diferentemente da taipan-do-interior, a cobra-marrom habita a região mais populosa da Austrália, e por isso o contato com seres humanos é bem mais frequente.

Embora possua veneno um pouco menos potente, a cobra-marrom pode ser considerada mais perigosa que a taipan. Além de viver mais próximo das pessoas, apresenta um comportamento bastante agressivo. Seu veneno é super potente, podendo causar paralisia e sérios distúrbios de coagulação. Nenhuma cobra causa mais mortes na Austrália do que a marrom.

3. Taipan-costeira: a cobra com as maiores presas da Austrália

taipan costeira

Nome científico: Oxyuranus scutellatus
Localização: Austrália e Nova Guiné

Também conhecida como taipan-oriental, ela é prima da taipan-do-interior. É encontrada em abundância nas regiões costeiras da Austrália e do sul da Nova Guiné. Tão agressiva quanto a cobra-marrom, é conhecida por sua esperteza e extrema agilidade, podendo desferir, em poucos segundos, várias picadas seguidas na sua vítima. Por isso, é considerada uma das cobras mais perigosas do mundo.

Outra característica importante da taipan-costeira é o tamanho de suas presas: 12 mm. Nenhuma serpente australiana tem presas tão grandes! Quando ataca, consegue injetar uma alta quantidade de veneno. Um ataque de taipan-costeira afeta o sistema nervoso central e provoca hemorragia, podendo levar à morte.

Em meados de 2020, a taipan-costeira quebrou um recorde mundial: cientistas do Australian Reptile Park conseguiram recolher, em apenas uma extração, 3,32 gramas de veneno (a média gira em torno de 1,8 g). Essa quantidade de veneno é o suficiente para matar 100 pessoas! A extração do veneno das cobras é essencial na produção de antídotos.

4. Cobra-tigre: um veneno com 10 milhões de anos!

cobra tigre

Nome científico: Notechis scutatus
Localização: Austrália e ilhas da Tasmânia

Há várias subespécies reconhecidas, dentre as quais a cobra-tigre-da-ilha-de-chapell, a cobra-tigre-ocidental e a cobra-tigre-da-tasmânia. Todas elas são altamente venenosas! O nome desta serpente faz referência às faixas pretas e amarelas que caracterizam algumas populações da espécie, havendo variações de acordo com a região.

Quando é incomodada, a cobra-tigre adota uma postura bastante agressiva e amedrontadora: ela infla seu corpo e solta um assobio alto, anunciando o que está por vir. A consequência mais séria do veneno dessa cobra no nosso organismo é a alteração de uma proteína responsável pela coagulação do sangue. Isso significa que, em casos mais severos, a vítima da cobra-tigre pode morrer em razão de distúrbios hemorrágicos.

Uma curiosidade sobre a cobra-tigre é que a “fórmula” de seu veneno é a mesma há 10 milhões de anos! A descoberta foi feita pelo pesquisador Bryan Fry, da Universidade de Queensland, na Austrália. Segundo ele, não houve necessidade evolutiva para a alteração da “fórmula” do veneno, já que em todo esse tempo as presas da cobra-tigre não desenvolveram imunidade para ela.

5. Mamba-negra: a cobra mais perigosa da África

mamba negra

Nome científico: Dendroaspis polylepis
Localização: oeste, sul e sudeste da África

A mamba-negra tem larga distribuição no continente africano, podendo ser encontrada em países como Senegal, Costa do Marfim, Tanzânia, Quênia, Moçambique e Zimbábue. Além de extremamente agressiva, a mamba-negra é muito ágil, podendo se deslocar numa velocidade de até 20 km/h.

O nome mamba-negra não tem nada a ver com a cor da sua pele (que costuma ser cinza ou verde-oliva), mas com a cor do interior da sua boca. Quando vai atacar, ela ergue ⅓ de seu corpo e escancara sua bocarra preta na direção da vítima.

Seu veneno pode liquidar um ser humano em meia hora. Uma picada dessa serpente libera veneno suficiente para matar até seis pessoas.

Leia também: Tudo sobre a mamba-negra, a cobra mais temida da África.

6. Cobra-real: a maior cobra venenosa do mundo

cobra real

Nome científico: Ophiophagus hannah
Localização: Índia, China, Malásia, Indonésia, Tailândia e Filipinas

A cobra-real (king cobra) impressiona não apenas pela potência de seu veneno, mas pelo seu tamanho. Trata-se da maior cobra peçonhenta do mundo, medindo de 3 a 4 metros - embora já tenham sido registrados indivíduos com mais de 5 metros de comprimento!

Famosa por sua agressividade, a cobra-real é dona de um veneno poderosíssimo. A neurotoxina presente no veneno afeta a medula cerebral, provocando insuficiência cardíaca e parada respiratória.

Devido à destruição do seu habitat, as cobra-reais encontram-se ameaçadas de extinção. Desmatamentos e queimadas são responsáveis por atrair essas cobras para as cidades, fazendo com que o contato com pessoas seja cada vez mais frequente.

7. Krait: uma das cobras mais mortais da Índia

krait
Indivíduo da espécie Bungarus fasciatus.

Nome científico: gênero Bungarus
Localização: países asiáticos, como China, Paquistão, Índia, Indonésia e Bangladesh

As cobras krait são uma grande preocupação em vários países asiáticos, provocando a morte de milhares de pessoas todos os anos. Uma pesquisa divulgada pela Universidade de Melbourne revelou que as serpentes krait são responsáveis por 65,7% das mortes por picada de cobra registradas no estado indiano de Bengala Ocidental.

Há 12 espécies conhecidas de serpentes krait, dentre as quais a Bungarus fasciatus, conhecida por ser a maior espécie de krait, podendo ultrapassar os dois metros de comprimento.

8. Víbora-de-russell: uma das cobras mais perigosas da Ásia

víbora de russell

Nome científico: Daboia russelii
Localização: em toda a Índia e em países asiáticos como Paquistão, Taiwan e Sri Lanka

A víbora-de-russel é outra espécie de serpente que aterroriza os indianos, sobretudo os trabalhadores do campo. Os acidentes envolvendo víboras-de-russell aumentam nos períodos de plantação e colheita do arroz. Como os arrozais ficam a horas de distância dos hospitais, muitas vítimas acabam morrendo por falta de atendimento médico.

A picada produz dor imediata, além de vômitos e tonturas. O veneno afeta gravemente a coagulação do sangue e pode provocar insuficiência renal. Sem tratamento médico, uma pessoa pode morrer duas horas após a picada. É uma das cobras mais perigosas da Ásia, sendo responsável por ⅓ dos ataques de cobras na Índia.

9. Biúta: a cobra venenosa mais difundida na África

biúta

Nome científico: Bitis arietans
Localização: África Subsaariana e Arábia Ocidental

Também chamada de surucucu-africana, a biúta é uma das cobras mais temidas da África. Além de possuir um veneno poderoso, o que a torna perigosa é o fato de sua população se distribuir por quase todo o continente africano. Na Cidade do Cabo, na África do Sul, não é incomum topar com uma biúta em matagais e trilhas nos arredores da cidade.

A biúta é atacarrada (raramente excede um metro de comprimento). Sua cabeça é triangular e suas presas podem medir 5 cm. Seu veneno é hemotóxico - ele destrói os glóbulos vermelhos do sangue, desencadeando um processo hemorrágico que pode ser fatal. A biúta é responsável por milhares de mortes anualmente na África.

10. Cobra-da-morte: seu nome já diz tudo

cobra da morte

Nome científico: Acanthophis antarcticus
Localização: Austrália

Esta cobra tem um aspecto bastante característico: corpo atarracado, a ponta da cauda fina e a cabeça em formato de flecha. Apesar de grossas, as cobras-da-morte costumam ser relativamente pequenas: em média, 75 cm.

Curiosidades à parte, o veneno dessa espécie de serpente faz jus ao seu nome popular. Trata-se de um veneno neurotóxico bastante potente, podendo levar uma pessoa à morte em apenas seis horas. Antes da criação do antídoto, cerca de 60% das pessoas picadas por essa espécie de cobra iam a óbito na Austrália.

11. Naja: a cobra que cospe veneno

naja
Indivíduo da espécie Naja siamensis, também chamada de cobra-cuspideira-tailandesa.

Nome científico: gênero Naja
Localização: regiões da África e da Ásia

O gênero Naja contém mais de 20 espécies, todas elas mortalmente venenosas. O veneno da naja é neurotóxico (ataca o sistema nervoso central), afetando a respiração e podendo causar paralisia. Além disso, sua picada pode provocar inchaço e necrose da área picada..

A naja é famosa por sua postura de ataque. Quando está diante de uma ameaça, ela ergue boa parte do corpo e abre o pescoço, como se “vestisse um capuz”. Essa postura faz com que ela ganhe uma aparência mais imponente e ameaçadora.

Além disso, algumas espécies de naja são capazes de esguichar veneno - são as chamadas “cobras cuspideiras”. O jato de veneno pode chegar a dois metros de distância e, se pegar nos olhos, pode até cegar.

12. Víboras Echis: pequenas, mas poderosas

víboras echis
Indivíduo da espécie Echis carinatus.

Nome científico: gênero Echis
Localização: norte da África, Oriente Médio e algumas regiões da Ásia

Existem oito espécies de víboras do gênero Echis. Todas elas possuem venenos poderosíssimos, confirmando o ditado que diz que “tamanho não é documento”. Isso porque essas cobras são bem pequenas - costumam ter entre 30 e 90 cm de comprimento.

Quando se sente ameaçada, essa pequena cobra adota um comportamento defensivo curioso, que consiste na fricção de suas escamas em formato de serra, produzindo um chiado bastante característico. Em inglês, ela é chamada de saw-scaled viper (“víbora com escamas de serra”).

Seu veneno contém metaloproteinases, enzimas que afetam as membranas celulares dos vasos sanguíneos, causando hemorragia. É uma das cobras que mais causam acidentes mortais na Índia.

13. Boomslang: um veneno de ação lenta, mas mortal

boomslang

Nome científico: Dispholidus typus
Localização: principalmente no centro e no sul da África, em países como Moçambique, Botswana, Namíbia e Zimbábue

Essa cobra habita uma grande variedade de ecossistemas, das savanas às florestas de planície (mais úmidas). A boomslang passa boa parte de seu tempo em galhos de árvores e arbustos, onde se aproveita da camuflagem para surpreender suas presas.

O veneno da boomslang destrói os glóbulos vermelhos, interrompendo a coagulação. É um veneno altamente tóxico e mortal, mas que age de forma bastante lenta, produzindo consequências mais graves um ou dois dias após a picada.

Em 1957, um especialista em répteis registrou a própria morte em decorrência da picada de uma boomslang. Karl Schimidt foi picado no Museu de História Natural de Chicago enquanto tentava identificar a espécie da cobra. Até hoje não se sabe ao certo por que Karl preferiu registrar em seu diário os efeitos da picada em vez de procurar imediatamente um hospital. A hipótese mais plausível é a de que ele não acreditava que a picada seria fatal.

14. Cabeça-de-cobre-australiana: a única cobra venenosa que vive no frio

cabeça de cobra australiana
Indivíduo da espécie Austrelaps superbus.

Nome científico: gênero Austrelaps
Localização: sul e sudeste da Austrália e Tasmânia

O nome popular das três espécies de Austrelaps se deve à coloração acastanhada ou levemente avermelhada de sua pele. Uma curiosidade sobre essas cobras é que, diferentemente das outras serpentes, elas vivem em regiões frias do sul e sudeste da Austrália, às vezes acima da linha da neve. Isso é algo incomum para animais de sangue frio que dependem do calor do ambiente para se aquecer.

O veneno da cabeça-de-cobre é poderoso: ele contém uma neurotoxina pós-sináptica, que pode levar à morte por asfixia. A boa notícia para os seres humanos é que essas cobras são bastante tímidas e fazem de tudo para evitar o contato com pessoas. Além disso, seu ataque é descrito como lento e impreciso. São raros os casos de morte por picada de cobras do gênero Austrelaps.

Coral: a cobra mais venenosa do Brasil!

Dentre as 400 espécies de cobras que existem no Brasil, poucas são venenosas e representam algum perigo aos seres humanos. São elas as espécies de jararaca, cascavel e coral, além da surucucu-pico-de-jaca. Aquela que possui o veneno mais tóxico são as cobras do gênero Micrurus, conhecidas como corais-verdadeiras.

coral verdadeira
Indivíduo da espécie Micrurus lemniscatus, altamente venenosa.

Há 32 espécies de coral-verdadeira no Brasil. Elas têm ampla distribuição pelo território nacional, de modo que os encontros de seres humanos com corais são bastante frequentes. O veneno da coral afeta o sistema nervoso central, podendo provocar dificuldade de locomoção e paralisia respiratória em casos mais graves. As chances de sobrevivência são de 50%.

Embora seja a mais venenosa, a coral não é a mais perigosa do Brasil. Esse "título" cabe às espécies de jararacas, responsáveis por 99% dos casos de picadas de cobra no Brasil. Enquanto as corais são tímidas, as jararacas são mais agressivas e ariscas. Além disso, a população de jararacas no Brasil é grande, o que aumenta as chances de contato com seres humanos.   

Leia: Como identificar uma cobra coral? Veja mitos e fatos e Veja as cobras mais perigosas do Brasil.

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