Egito Antigo: 7 fatos incríveis sobre essa importante civilização


O Egito Antigo foi uma das mais importantes e duradouras civilizações da Antiguidade. Localizada no norte da África, ao longo do vale do rio Nilo, a civilização egípcia é conhecida por sua riqueza cultural, material e por suas invenções técnicas. 

O Egito Antigo tem início com a primeira dinastia do faraó Menés (3100 a.C.) e termina com a morte de Cleópatra VII, em 30 a.C. Porém, há evidências de ocupação do vale do Nilo para o exercício de atividades agrícolas e pastoris já em 8000 a.C. 

Vamos conhecer agora alguns fatos incríveis sobre essa tão importante civilização.    

1. A Pirâmide de Quéops é a única das Sete Maravilhas do Mundo Antigo que ainda está de pé

a Grande Pirâmide de Gizé
A Grande Pirâmide de Gizé, situada na antiga necrópole nos arredores do Cairo. 

Impossível falar de Antigo Egito sem pensar nas suas pirâmides, esses enormes túmulos construídos há milhares de anos para abrigar as múmias dos faraós e alguns de seus familiares. São conhecidas 123 pirâmides, mas nem todas se encontram em bom estado de conservação como a pirâmide do faraó Quéops, também conhecida como Grande Pirâmide de Gizé. 

Essa gigantesca estrutura, de 145 metros de altura e 230 metros de largura, é tão impressionante que os gregos a incluíram na lista das obras mais belas já construídas pela humanidade, ao lado de monumentos como o Colosso de Rhodes e a Estátua de Zeus, em Olímpia.   

De todas essas obras, porém, só a Grande Pirâmide de Gizé, erguida há cerca de 4.584 anos, ainda existe, provando que os conhecimentos de engenharia e matemática dos antigos egípcios eram realmente espetaculares. 

Veja também: Pirâmides do Egito: o que você precisa saber sobre essas maravilhas do Antigo Egito

mapa Egito Antigo
Mapa do Egito Antigo no século XV a.C., durante o Império Novo. 

2. Homens e mulheres tinham direitos iguais

No Egito Antigo, homens e mulheres tinham os mesmos direitos perante a lei, embora houvesse diferenças em relação aos papéis sociais ocupados por ambos os sexos. 

As egípcias podiam escolher com quem se casavam e também eram livres para se divorciar. Podiam se deslocar e fazer viagens. Diferentemente das mulheres da Grécia Antiga, a mulher egípcia tinha direito de comprar e vender propriedades. Em caso de morte do marido ou divórcio, a mulher poderia ficar com a casa e decidir o que fazer com ela sem prestar contas a parentes do gênero masculino.   

Mulheres podiam ser escribas, o que era a porta de entrada para se tornarem médicas ou sacerdotisas. As sacerdotisas de maior prestígio eram as Esposas de Deus, título conferido às mulheres que exerciam importante papel nos cultos religiosos.  

Isso não significa que não houvesse diferença de papéis sociais entre homens e mulheres, principalmente em relação às ocupações. Mulheres geralmente eram tecelãs, cozinheiras e costureiras. Já os homens participavam dos assuntos militares e exerciam cargos de poder.      

3. Os antigos egípcios acreditavam em mais de dois mil deuses!

Os egípcios eram politeístas - ou seja, cultuavam vários deuses. Para os egípcios, os deuses eram entidades responsáveis pela criação de todas as coisas e por estabelecer a ordem no mundo. Além disso, era atribuição dos deuses orientar ou guiar a vida dos homens na Terra. 

Dentre as divindades mais cultuadas, a mais poderosa é Amon, também chamado de “O Oculto”. Deus do sol e do ar, Amon era geralmente representado como um homem com cabeça de carneiro. 

Amon deus egípcio
Representação do de deus Amon feita no século XIX pelo artista francês Léon-Jean-Joseph Dubois. 

O auxílio dos deuses era fundamental para que fossem realizadas grandes façanhas. O faraó Amósis I acreditava, por exemplo, que a vitória militar sobre os hicsos, em 1580 a.C., só tinha sido possível pela intervenção divina de Amon. Sem a mãozinha do deus, a unidade do império não teria sido restaurada. 

Veja também: Amon:o deus mais misterioso e poderoso do Antigo Egito e Principais deuses egípcios e suas histórias

4. Os egípcios inventaram o papiro, o precursor do papel

Já parou para pensar quando o papel foi inventado e quem foi o gênio que criou esse objeto tão útil para o desenvolvimento das culturas? O papel foi inventado por volta do ano 100 d.C. por um funcionário do governo chinês chamado Ts’ai Lun. Porém, muito antes disso, os egípcios já usavam um tipo de material mais rústico chamado papiro, o precursor do papel. Aliás, a palavra “papel” vem da palavra latina papyrus

Estima-se que o papiro surgiu no ano 3 mil a.C. - ou seja, há mais de 5 mil anos! O papiro era produzido a partir da Cyperus papyrus, uma planta que nasce às margens do rio Nilo. Essa planta tinha várias funções: além de material de escrita, servia para produzir cestos, sandálias, cordas e até brinquedos. 

Um dos escritos em papiro mais famosos é o Livro dos Mortos, obra que reúne hinos e feitiços destinados a auxiliar os espíritos dos mortos no caminho do Além. 

papiro Antigo Egito
Fragmento do Livro dos Mortos, do século XV a.C. 

O processo de produção do papiro levava dias: depois de cortados e tiras, os talos da planta eram postos para secar, depois voltavam a ser hidratados numa solução com água e vinagre, depois passavam por nova secagem e, por último, eram prensados. 

O material é tão resistente que muitos papiros chegaram quase intactos até os dias de hoje. Muito do que conhecemos hoje sobre a sociedade do Egito Antigo se deve à tradução desses materiais milenares. 

A civilização egípcia foi uma das primeiras a desenvolver a escrita. Estima-se que os primeiros textos egípcios tenham sido escritos por volta do ano 3000 a.C. Os egípcios usavam o sistema de escrita hieroglífica, que consistia basicamente no uso de símbolos e figuras, em vez de palavras.  

5. Os egípcios inventaram a cirurgia

Graças ao bom estado de preservação do Papiro Edwin Smith, sabemos que por volta do ano 3000 a.C. os egípcios já realizavam procedimentos cirúrgicos. Esse papiro é o mais antigo tratado de medicina cirúrgica que conhecemos. 

papiro Edwin Smith
Página do Papiro Edwin Smith. 

Embora o texto tenha sido escrito por volta de 1600 a.C., a ciência acredita que ele seja uma cópia de um texto bem mais antigo (3000 a.C.). Nele encontramos descrições detalhadas de alguns casos clínicos, contendo o nome do caso, o exame, o tratamento e as explicações. 

O tratado reúne 48 casos de lesões em regiões do corpo como a cabeça, o tórax e o pescoço. As descrições fazem referência a instrumentos como agulha, linha e esparadrapo, e a procedimentos como a cauterização.  

Veja também: Pedra de Roseta: saiba o que é e qual a importância dessa pedra egípcia

6. Os egípcios conheciam dois tipos de relógio

Para saber as horas, os antigos egípcios usavam dois tipos de relógio: o relógio de água, também conhecido como clepsidra, e o relógio de sol, também conhecido como relógio de sombra. 

O relógio de água tinha um princípio de funcionamento parecido com o da ampulheta (sistema que usa areia). Enchia-se com água um recipiente de pedra com um pequeno orifício no fundo. 

Conforme o tempo vai passando, a gravidade faz com que a água escorra pelo orifício, esvaziando a tigela. O tempo era calculado a partir da quantidade de água restante no recipiente. O exemplar mais antigo já encontrado por arqueólogos data do século XVI a.C., período em que estava no poder o faraó Amenhotep III.

relógio de água Egito Antigo
Relógio de água do século III a.C.

O relógio de sol é o primeiro relógio da história da humanidade. E essa invenção é egípcia. Esse dispositivo marcava as horas a partir da posição da sombra de um objeto exposto ao sol. À medida que o sol se move ao longo do dia, a sombra do objeto também se move, indicando a passagem das horas.

Os primeiros relógios de sol egípcios datam do ano 3500 a.C. e consistiam em obeliscos (pilares) que serviam para projetar sombras no chão. Depois, o dispositivo foi sendo aperfeiçoado por outros povos, como os gregos e os árabes.   

relógio de sol Egito Antigo
Versão moderna do relógio de sol do Antigo Egito. 

7. A maquiagem foi inventada no Egito Antigo

Há indícios de que há mais de cinco mil anos os egípcios já usavam maquiagem. O produto cosmético mais antigo do mundo é o kohl, um pó preto feito a base de fuligem e minério de chumbo que os egípcios utilizavam para delinear os olhos. 

O kohl era utilizado por homens e mulheres para fins estéticos e para proteção contra o sol. O famoso busto de Nefertiti, esposa do faraó Amenófis IV (Aquenáton), comprova que no século XIV a.C. a rainha contornava seus olhos usando kohl

Além desse delineador, os egípcios também usavam sombras coloridas misturando pó de minerais como o lápis-lazúli e a malaquita.

busto de Nefertiti
Busto da rainha Nefertiti (séc. XIV a.C.) exposto no Museu Egípcio de Berlim.  

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