Batalha de Tuiuti: conheça a maior batalha campal da história da América do Sul


A maior batalha campal da história do nosso continente aconteceu no dia 24 de maio de 1866 no entorno da lagoa de Tuiuti, localizada no extremo sudoeste do Paraguai, onde se encontram os rios Paraguai e Paraná.

Por isso, ficou conhecida como Batalha de Tuiuti, a maior e mais sangrenta de toda a Guerra do Paraguai (1865-1870), vencida pela Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai. O exército paraguaio conheceu a sua pior derrota em toda a guerra. E a história sul-americana ganhou o seu capítulo mais terrível.

Números da Batalha de Tuiuti

Batalha de Tuiuti
Detalhe de pintura do artista argentino Cándido López retratando os horrores de Tuiuti.

Não se sabe com exatidão o número de combatentes nem o número de mortos. Mas, com base em documentos da época e relatos de oficiais envolvidos no combate, é possível chegar a números aproximados. São esses números que nos dão a dimensão da batalha.

  • 57.200 combatentes no total, sendo 33.000 aliados e 24.200 paraguaios.
  • Entre os aliados, havia 21.000 brasileiros, 10.600 argentinos e 1.400 uruguaios.
  • 6 horas de duração, com início às 11h30 da manhã.
  • Artilharia: os aliados possuíam 50 peças de artilharia contra apenas 4 paraguaias.
  • Infantaria: 58 batalhões aliados contra 21 paraguaios.
  • Cavalaria: 600 aliados contra 8.400 soldados paraguaios.
  • Mortos: 996 aliados (sendo 719 brasileiros) e 6.000 paraguaios.
  • Feridos: 2.935 aliados e 7.000 paraguaios.

Olhando os números, é possível constatar a superioridade numérica do exército aliado, um dos fatores que explicam a sua vitória expressiva, que resultou em enormes baixas no exército inimigo. Mais da metade do exército paraguaio ou morreu ou saiu ferida da batalha. Dentre os aliados, as perdas foram bem menores.

Como começou a batalha

Militares brasileiros
Militares brasileiros posam para foto durante a Guerra do Paraguai.

Em abril de 1866, as tropas aliadas iniciaram a invasão do território paraguaio, após a importante vitória na Batalha do Riachuelo e a retomada de Uruguaiana (RS) no ano anterior.

A caminho de Tuiuti, ocorre a Batalha de Estero Bellaco, que terminou com a retirada da tropa paraguaia. O caminho estava aberto para os aliados avançarem ainda mais em direção ao interior do território paraguaio. Mas um problema já se colocava às tropas expedicionárias: o desconhecimento do terreno e a ausência de mapas.

Chegaram a Tuiuti na manhã do dia 20 de maio e ali armaram acampamento. A localização não era nada boa: estavam cercados por esteiros (canais pouco profundos de fundo lodoso) a norte e a sul, a oeste estava a lagoa Pires e a leste havia pântanos por todos os lados. Tuiuti significa "lama branca" em guarani.

Foi, portanto, no meio dessa zona pantanosa, num pequeno terreno seco de 4 por 2,4 km, que se ergueu acampamento, a poucos quilômetros das posições inimigas.

Eram 33.000 soldados, a maioria brasileiros. Nos primeiros dias, foram feitas expedições para o conhecimento da região. Decidiu-se um ataque para o dia 25 de maio. Mas, sabendo disso, o ditador paraguaio Francisco Solano López (1827-1870) decidiu surpreender.

Às 11h30 da manhã do dia 24 de maio, no momento em que as tropas aliadas se preparavam para almoçar, começou o ataque.

A batalha

Batalha de Tuiuti
Representação do avanço da cavalaria paraguaia sobre as linhas argentinas. Autor: Francisco Fortuny.

Na verdade, o ataque estava previsto para as 9h. Mas quem disse quer era fácil cruzar o pântano que separava as fortificações paraguaias do acampamento aliado?

Uma bala de canhão caiu sobre os soldados aliados. Era o sinal do ataque. Foi dado o alarme em todo o acampamento. Enquanto isso, mais de 20.000 soldados paraguaios, liderados por uma numerosa cavalaria, partiam para cima de brasileiros, uruguaios e argentinos que se preparavam às pressas para o combate.

Os aliados conseguiram resistir às primeiras investidas dos cavaleiros paraguaios. A defesa foi organizada numa fileira de mais de 200 metros, de onde os soldados atiravam nos cavaleiros inimigos, que enfrentavam enormes dificuldades para vencer o terreno lamacento. Os cavalos atolavam e não conseguiam avançar com rapidez, o que facilitou o trabalho da defesa. Vez ou outra, um soldado abandonava sua fileira e partia para a luta corpo a corpo usando a baioneta (aquele punhal encaixado na ponta do fuzil).

Como os aliados chegaram à vitória

Dá-se o primeiro contra-ataque da cavalaria aliada, ao mesmo tempo em que pelo lado direito avança mais um pelotão de cavalaria paraguaia, que é surpreendida pela artilharia argentina. Com ajuda da 6ª Divisão de Infantaria, comandada pelo brasileiro General Osório (1808-1879), os paraguaios são obrigados a recuar.

Soldados
Foto rara de uma trincheira com soldados uruguaios durante a Batalha do Tuiuti.

E assim a batalha prosseguiu, com avanços e recuos dos paraguaios, e com uma reação intensa dos soldados aliados. As tropas da Tríplice Aliança saíram em desvantagem: não dominavam o terreno e foram pegos de surpresa pelo ataque inimigo. Mas rapidamente dominaram o combate, pois contavam com uma forte artilharia, além da vantagem numérica.

Outro fator que pesou para o lado de brasileiros, argentinos e uruguaios foi o fato do terreno pantanoso ser mais favorável para quem defende do que para quem ataca.

Desfecho da Batalha de Tuiuti

Resumo de tudo: após 6 horas de combate, os paraguaios são obrigados a recuar às suas fortificações. Os aliados não vão atrás deles por falta de cavalos, munições, além de estarem completamente exaustos.

A vitória expressiva em Tuiuti não foi decisiva, mas representou uma enorme vantagem para os aliados numa guerra que ainda duraria quatro anos. Depois disso, López jamais conseguiria reunir tantos soldados numa única batalha. E os aliados estabeleceram-se de forma definitiva no território paraguaio.

Outras batalhas decisivas da Guerra do Paraguai

Batalha do Riachuelo (11 de junho de 1865)

Importante vitória da marinha brasileira ocorrida na província argentina de Corrientes. A vitória é decisiva porque consolida o domínio aliado sobre a bacia do rio da Prata.

Batalha do Riachuelo
Batalha Naval do Riachuelo, por Oscar Pereira da Silva.

Batalha do Passo da Pátria (16 a 23 de abril de 1866)

Mais uma vitória do Império do Brasil e seus aliados na aldeia paraguaia de Passo da Pátria. Com a tomada da posição fortificada, os aliados conquistam um posto avançado em terreno inimigo, fundamental para o avanço de suas tropas.

Tomada de Humaitá (25 de julho de 1868)

Liderado pelo Duque de Caxias, o exército imperial toma o principal centro de resistência paraguaio.

Dezembrada (dezembro de 1868)

Com a chamada Dezembrada, a Guerra do Paraguai praticamente chega ao fim. Foi uma série de batalhas (Itororó, Avaí e Lomas Valentinas) ocorridas em dezembro de 1868, todas vencidas pelos aliados. O ditador paraguaio consegue fugir.

Batalha de Cerro Corá (1º de março de 1870)

Após Solano López reunir um novo exército, a guerra continua até a Batalha de Cerro Corá, na qual o ditador foi morto. Foi a última batalha da longa e sangrenta Guerra do Paraguai.

Quer saber mais sobre a Guerra do Paraguai? Então leia: Guerra do Paraguai: qual o papel do Brasil no maior conflito da América do Sul?