Vaga-lume: a origem do seu brilho e outras curiosidades desse inseto incrível


Vaga-lumes, também conhecido como pirilampos em algumas regiões do Brasil, são insetos da ordem dos coleópteros, da qual fazem parte as joaninhas e os besouros. Famosos por sua incrível capacidade de emitir luz própria, os vaga-lumes são encantadores e ao mesmo tempo misteriosos. Afinal, como é possível um bichinho marrom de 2 ou 3 centímetros produzir uma luz de tonalidade esverdeada que pode ser vista a metros de distância?

Vaga lume

Por que os vaga-lumes brilham?

Quase tudo na natureza se resume a buscar alimentos, preservar a vida e procriar. No caso do brilho dos vaga-lumes, sua finalidade é a procriação.

Machos e fêmeas brilham, mas quem começa o show de luzes, após o cair da noite, são os machos. A importância da emissão de luz para os machos é atrair as fêmeas. Enquanto eles voam, as fêmeas permanecem imóveis no chão. Algum tempo depois, são elas que passam a emitir luzes, a fim de atrair os machos que voam por perto.

São muitas espécies de vaga-lumes. Acredita-se que no Brasil haja por volta de 500 delas. Cada espécie brilha de acordo com um determinado padrão: piscadas longas, piscadas rápidas e sucessivas... E é por meio desse padrão que machos e fêmeas, no escurinho do bosque, se comunicam e, se rolar um match, se acasalam.

O acasalamento dura pouco. Por isso, pode acontecer de numa única noite um macho conseguir cruzar com mais de uma fêmea.

Assim, o belíssimo show de luzes que podemos presenciar em matas e campos nada mais é do que um ritual do acasalamento.

Vaga lume
O Photinus pyralis é a espécie de vaga-lume mais comum nos Estados Unidos.

O que dá origem à luz?

Resultado do longo e lento processo evolutivo, a luz dos vaga-lumes, ou sua bioluminescência, tem uma explicação. Trata-se de uma reação química, conhecida como oxidação biológica, responsável pela marca registrada dos pirilampos e que, como vimos, é fundamental para a sua reprodução.

Resumidamente, a reação química ocorre assim: moléculas chamadas de luciferinas são oxidadas por uma enzima, a luciferase, fazendo com que as luciferinas se transformem em moléculas de oxiluciferina. Esta substância, quando perde energia, produz luz, não calor. Por isso, pode ficar tranquilo quando estiver perto de um vaga-lume: ele não queima!

Quanto tempo um vaga-lume vive?

O ciclo de vida de um vaga-lume é considerado longo para um inseto. Ele vive entre 1 e 3 anos, sendo que a maior parte desse tempo ele passa na fase larval.

Se levarmos em conta um vaga-lume que viva 2 anos, cerca de 1 ano e 11 meses desse tempo ele viveria como larva, alimentando-se de vegetais e outros insetos.

Após a metamorfose, a chamada fase adulta dura muito pouco: cerca de 3 a 4 semanas. Nesse tempo, o vaga-lume, já podendo voar por aí, dedica-se sobretudo às atividades reprodutivas, que ocorrem no verão. Depois do período reprodutivo, as fêmeas botam os ovos, geralmente em tocos podres de madeira, de onde sairão as larvas, 15 dias. E assim se inicia um novo ciclo.

Tipos de vaga-lumes

No Brasil, há 3 famílias de vaga-lumes:

Elaterídeos

Elaterídeo
Os elaterídeos, muito comuns no Brasil, possuem "lanterninhas" na parte anterior do tórax.

Geralmente de cor castanho-escuro, esses vaga-lumes possuem duas "lanternas" na parte anterior do tórax, além de uma outra na região abdominal que só é colocada em ação quando o inseto está voando.

Lampirídeos

Esses vaga-lumes costumam ser de um marrom mais claro do que os elaterídeos, e suas "lanternas" ficam no ventre (abdome).

Fengodídeos

Conhecidos como bondinhos, os fengodídeos caracterizam-se pela enorme quantidade de "lanternas" espalhadas pelo corpo. Além de emitir luz pela cabeça, também o faz por pequenas "lanternas" laterais ao longo do ventre.

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Vaga-lumes vão desaparecer?

Faz quanto tempo que viu um vaga-lume pela última vez?

Se a resposta para essa pergunta foi "faz tempo..." ou "faz muitos anos", saiba que você não é o único. Há explicações para esse declínio da população mundial de vaga-lumes, que infelizmente pode desaparecer nos próximos anos.

As causas, claro, têm a ver com os seres humanos e seu estilo de vida.

Vaga lume

Destruição do habitat

Uma primeira causa é a destruição do habitat natural dos vaga-lumes: bosques, florestas, campos e pântanos. À medida que esses locais são devastados, seja por avanço das cidades ou de atividades agrícolas, a tendência é a de que esses bichinhos percam seu lugar no mundo.

Poluição luminosa

Os vaga-lumes levaram tempo para evoluir e desenvolver seu incrível método de encontrar parceiros. Mas não contavam com as luzes artificiais dos seres humanos. Essa poluição vem atrapalhando a comunicação dos vaga-lumes, que já não conseguem mais localizar com tanta facilidade seus potenciais parceiros.

O resultado disso é a diminuição da população de vaga-lumes. E conforme mais postes de luz sejam instalados mundo afora, a tendência é que esses pequenos insetos encontrem ainda mais problemas para se reproduzir.

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