Chernobyl: saiba quem mora hoje e como é a vida no local


Chernobyl, localizada no norte da Ucrânia onde antes era a União Soviética, foi cenário da maior catástrofe nuclear da história. Em 1986, houve uma explosão em um incêndio no reator da unidade quatro da central nuclear, que lançou uma grande quantidade de partículas radioativas no ar.

Trinta e uma pessoas morreram no acidente, e ao longo de dez dias, mais de 130 mil pessoas tiveram que deixar suas casas. A zona de exclusão, que é a área mais afetada pela radiação, tem acesso restrito e controlado. Ela estende-se em um raio de 30 quilômetros ao longo da usina nuclear e tem cerca de 2.600 quilômetros quadrados de área.

Mas apesar do estrago proporcionando, 32 anos depois do acidente a cidade começa a se reestruturar. Veja então como é a vida em Chernobyl atualmente.

Chernobyl hoje e seus habitantes 

Pripyat
Acesso à Pripyat. Fonte: Google Street View

Pripyat é a cidade mais próxima à usina nuclear e seu acesso é controlado.

Apesar dos perigos da radiação, parte da população se recusou a deixar a área. Os moradores da zona de exclusão são conhecidos como Samosely. Cerca de 130 moram na cidade de Chernobyl, que fica um pouco mais ao sul da usina nuclear.

Outros moradores da região são cientistas, militares e trabalhadores. Eles possuem regime especial e podem ficar na zona por no máximo quinze dias. Seus índices de radiação são rigorosamente controlados. 

Avenida com a grama aparada em Chernobyl
Avenida com a grama aparada em Chernobyl. Fonte: Google Street View

Chernobyl tem a grama cortada e manutenção pública. Os canos de água passam em cima do solo para evitar a contaminação, já que o índice de radioatividade é maior no solo do que no ar.

Tubulação de água em Chernobyl
Tubulação de água em Chernobyl. Fonte: Chernobyl´s Cafe

Chernobyl e o turismo 

Hoje, o número de turistas que procuram entrar na Zona de Exclusão de Chernobyl é um incentivo para várias empresas de turismo. Recentemente, até mesmo um hostel foi inaugurado a cerca de nove quilômetros da usina nuclear e possui por volta de cinquenta camas em seus dormitórios. 

As visitas pela cidade são guiadas e controladas por verificações de segurança. Os visitantes devem viajar para o local por um ônibus de turismo, e uma vez lá, eles assinam um alerta contra tocar em qualquer objeto ou vegetação, ou até mesmo se sentar no chão.

A saída do local também é altamente regulada, com scanners corporais que testam os níveis de radiação, e caso o alarme soe, os guardam devem analisar o indivíduo em busca de poeira radioativa antes de poder sair.

Refeitório do hostel
Refeitório do hostel. Foto: Divulgação/site oficial

Chernobyl e a vida selvagem 

Atualmente, na zona de exclusão também foi criada uma enorme reserva, onde a vida selvagem prospera apesar dos altos índices de radiação. 

Javalis, lobos, alces e veados são comuns nesse espaço, porém, a "zona", como é popularmente conhecida, tornou-se um improvável santuário para uma fauna mais evasiva, incluindo o lince, o bisonte europeu e uma crescente população de cavalos de Przewalski, um eqüino selvagem. A raça extremamente rara está se adaptando tão bem na área que alguns grupos estão começando a se perder além da zona.

Raposa na zona de exclusão
Raposa na zona de exclusão

Mas a cidade ainda carrega suas marcas

Porém, muitas zonas ainda estão abandonadas e parecem fazer parte do cenário de algum filme de terror. Atualmente, a cidade de Pripyat virou uma espécie de museu a céu aberto, onde é possível ver como era a arquitetura dos monumentos e dos prédios no final da União Soviética.

Uma fileira de barcos enferrujados no rio Pripyat, uma roda-gigante abandonada, e outros traços de vida na antiga URSS estão espalhados por toda parte, desde livros escolares de crianças até cartazes de propaganda soviética.

Foto de edifício abandonado em Pripyat
Edifício abandonado em Pripyat
Edifício abandonado em Pripyat
Edifício abandonado em Pripyat
A famosa roda gigante de Pripyat
 A famosa roda gigante de Pripyat

Aos poucos a região de Chernobyl se recupera, abrindo espaço para o ressurgimento social e da natureza, mas sem dúvidas a marca desse desastre será visível para sempre na história e na vida das pessoas. 

Veja também a como o acidente nuclear de Fukushima continua nos afetando hoje