Como identificar uma cobra coral? Veja os mitos e fatos


As cobras corais são serpentes pequenas, de cores vibrantes e extremamente venenosas (aliás, são as mais venenosas do Brasil). Porém, muitas pessoas confundem essa espécie com outras, que apesar de se parecerem fisicamente, não possuem veneno. Só no Brasil existem 37 espécies de cobras corais verdadeiras, enquanto mais de 60 espécies são corais falsas.

Na busca de padrões para identificar as verdadeiras das falsas muitas informações são encontradas, mas nem todas são de confiança. Aprenda então quais os mitos e fatos na hora de identificar uma cobra coral.

Sua identificação por cores não é tão simples quanto falam

Coral verdadeira
Você nem sempre pode confiar na rima "vermelho com amarelo".

A coisa que mais gera dúvida sobre as corais é a forma diferenciá-las de outras cobras inofensivas que se parecem com elas. Para ajudar nesse momento, há uma rima popular usada por muitas pessoas que diz: “Vermelho com amarelo perto, fique esperto. Vermelho com preto ligado, pode ficar sossegado”.

Essa rima, e algumas variações dela, indicam a ideia de que as cobras corais podem ser identificadas pelas listas vermelhas seguidas pelas amarelas.

Em alguns lugares, essa informação pode ser útil para dizer se as cobras corais são verdadeiras ou falsas, mas é importante lembrar que, embora a regra possa ser útil na maioria das vezes, não é 100% confiável.

Em toda a América Latina, existem muitas corais falsas que se parecem com o que consideramos cobras corais "típicas", incluindo algumas que possuem listras vermelhas e amarelas. 

Já entre as corais verdadeiras existem algumas exceções importantes, pois as cores e os padrões da cobra coral nem sempre são típicos. Há condições como o melanismo, onde a cobra é principalmente negra, ou albinismo, onde falta pigmento preto. 

Além disso, existem variações regionais com diferentes combinações de cores, assim como também podem existir cobras corais que possuem padrões anormais, e nesses casos, as regras simplesmente não funcionam.

Veja aqui algumas das diferentes cobras corais encontradas no Brasil!

Corais do Brasil
Cobras corais do Brasil (Créditos: Marcus Buononato)

Suas presas são frontais ou traseiras?

Coral falsa
Corais verdadeiras e corais falsas possuem dentição diferente

Um equívoco comum sobre a cobras corais é que elas possuem presas na parte de trás da boca. Porém, uma das características que as corais têm em comum com todos as outras Elapidae é que eles possuem presas frontais, usadas para injetar veneno nas vítimas. Essa confusão pode acontecer pois as presas dessas cobras são tão pequenas que são realmente difíceis de ver.

Já a coral falsa possui dentição opistóglifa, ou seja, as presas que injetam o veneno ficam na parte de trás, ou possuem dentição áglifa, sem inoculadores de veneno. 

As cobras corais usam uma mordida diferente para injetar veneno

Mordida da coral

Outra suposição comum é que as cobras corais têm que morder a presa com força para injetar o veneno, mas isso também não é verdade.

Essa ideia pode ter se originado do fato de que as cobras corais mordem e seguram suas presas. Esse comportamento de retenção e mastigação é comum entre quase todas as cobras que comem outras cobras, mas essa ação acontece mais para não deixar as vítimas se afastarem do que pela necessidade de morder para injetar o veneno.

E o quanto devemos nos preocupar com as corais verdadeiras?

É verdade que o veneno de cobras corais é uma dos mais tóxicos entre as cobras brasileiras, porém, essas cobras o produzem em pequenas quantidades. Uma cobra coral adulta pode entregar 10 ou talvez 15 mg de veneno, enquanto uma cascavel adulta pode entregar 300-400 mg ou mais.

Outro fator a ser considerado é que o veneno das corais tende a agir de forma relativamente lenta: suas picadas podem não se tornar sintomáticas por várias horas. Além disso, apesar de seu veneno ser extremamente forte, elas não são tão perigosas assim para os humanos por causa de seus hábitos. Dos acidentes com cobras no Brasil, apenas 1% é causado por cobras corais.

Porém, apesar do pequeno número de acidentes, o risco existe, e como vimos, identificar uma cobra coral verdadeira de uma falsa pode não ser tão fácil assim, principalmente em um país com tantas espécies diferentes. Então, na dúvida, é melhor sempre manter a distância.