Boto-cor-de-rosa: o símbolo da Amazônia que é mais do que uma lenda


Um dos grandes símbolos da Amazônia Brasileira, o boto-cor-de-rosa é apenas um dos nomes dados a 3 tipos de golfinhos fluviais (família Delphinidae) presentes nas águas dos rios Amazonas, Solimões e Araguaia no Brasil e, também, na sub-bacia Boliviana.

Em 2011, foi considerado vulnerável pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), porém a própria entidade concluiu que não há dados suficientes para determinar a gravidade do perigo de extinção da espécie.

Características físicas

Boto-cor-de-rosa
Foto: Lcainbinder

Os botos são mamíferos cetáceos, portanto de uma classe de mamíferos aquáticos. Amplamente reconhecido pela coloração rosada dos animais adultos, que se destaca principalmente nos machos. Os filhotes têm uma coloração acinzentada.

O boto é o maior golfinho de água doce. Existe uma diferença grande de tamanho entre os machos e as fêmeas, sendo que os machos costumam chegar a 2,55m de comprimento e 185kg, enquanto que as fêmeas crescem até 2,15m e pesam até 150kg.

A nadadeira dorsal é bastante larga, porém pequena e as nadadeiras laterais são grandes. Além disto, como é um animal de porte médio e não possui fusão nas vértebras cervicais, o boto é bastante flexível. É capaz de mover a cabeça em todas as direções. Assim, possui uma grande capacidade de locomoção em meio à floresta inundada, o que lhe é útil para a captura de presas.

Possui dentes e alimenta-se de peixes, tartarugas e caranguejos. Também possui um órgão responsável pela emissão de ondas ultrassônicas capaz de detectar a distância e forma de objetos. Esta habilidade é chamada Biossonar e favorece a deslocação dos animais.

Conheça as sub-espécies

Existem 3 sub-espécies aceitas cientificamente do boto-cor-de-rosa, cada uma podendo ser encontrada em uma região diferente da América do Sul:

Bacia do Amazonas (Brasil): Inia geoffrensis geoffrensis, definida por Blainville, em 1817.

Rio Madeira, entre Guajará-Mirim e Porto Velho (Brasil): Inia geoffrensis boliviensis, definida por d'Orbigny, em 1834.

Bacia do Orinoco (Bolívia): Inia geoffrensis humboldtiana, definida por Pilleri & Gihr, em 1977.

Os vários nomes dados ao golfinho fluvial

boto-cor-de-rosa
Foto: Renilson Silva

Cada uma das sub-espécies recebeu uma nomenclatura científica diferente. Historicamente, a primeira definição foi dada por Henri Marie Ducrotay de Blainville em 1817 como sendo todos os tipos de boto uma única espécie chamada Delphinus (Delphinorhynchus) geoffrensis.

Posteriormente, em 1824, o explorador Alcide d'Orbigny concluiu e denominou que o Inia boliviensis era uma espécie diferente, reclassificando-o. Mais tarde, os estudiosos John Edward Gray e Paul Gervais, reestruturaram as nomenclaturas respectivamente para Inia geoffroyii e Inia geoffrensis, esta última sendo utilizada atualmente.

No discurso popular existem vários nomes, normalmente relacionados com a cor do animal, que costuma ter a região do ventre branco avermelhado. É chamado de boto, boto-vermelho, boto-rosa, boto-malhado, boto-branco ou de boto-cor-de-rosa, sendo este o nome mais conhecido.

Habitat e comportamento

O boto costuma estar sozinho. É visto em grupo somente em fases de reprodução e quando a mãe ainda cuida do filhote. Apesar de ser muito flexível, não é um nadador de grande velocidade.

Pode ser encontrado em 6 países da América do Sul: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Venezuela e Colômbia. Se locomove por toda a área fluvial até algumas cachoeiras que não lhe permitem a passagem, como as que existem no rio Xingu, no Brasil.

A lenda de galã

festa do sairé
Festival do Boto

Uma das histórias mais populares do folclore amazônico brasileiro é a lenda do boto. Nela, o boto-cor-de-rosa se transforma em um belo rapaz durante as festas populares das comunidades ribeirinhas com a intenção de seduzir mulheres. A escolhida passa a noite com ele no leito do rio. Ao amanhecer, volta ao seu estado normal de boto.

Ele costuma vestir-se de branco e usa um chapéu para disfarçar o grande nariz de boto. A lenda surgiu como justificativa para a gravidez de mulheres solteiras.

A Festa do Sairé, em Alter do Chão no interior do Pará, apresenta todos os anos o Festival do Boto, no qual é encenada a lenda.

Preservação e cuidados

De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), o estado de conservação do boto-cor-de-rosa está classificado como vulnerável. Em áreas de preservação, o animal aparenta estar bem distribuído, entretanto a entidade considera que não possui dados suficientes para concluir se a espécie está segura.

O boto é uma espécie que não se adapta bem em cativeiro, apesar de estar presente em diferentes aquários ao redor do mundo. Os locais para visitação presentes na Região Amazônica são regulamentados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e são administrados pelas populações ribeirinhas locais. São espaços em que se pode interagir com o animal que vive livre nas águas dos rios.