Mas afinal para que serve o Código Morse?


O Código Morse é um sistema de comunicação binário que representa letras, números e sinais de pontuação através de um sinal cifrado e irregular. Ele possui dois símbolos, os pontos (.) e os traços (-), chamados de bits e dahs, respectivamente. Os símbolos são organizados de forma a se decifrar a mensagem conforme o ritmo e os intervalos com que aparecem.

Código Morse Stranger Things

Você já reparou que nos filmes de guerra sempre tem alguém que se comunica através de Código Morse quando está em perigo? Com a evolução das tecnologias, esta linguagem não é mais tão utilizada como foi no passado, porém ainda pode ser muito útil nos dias de hoje, portanto aprenda logo, o sinal mais conhecido é o SOS (...---...).

Podendo ser transmitido através de pulsos elétricos, de ondas eletromagnéticas pelo rádio, do som e de sinais visuais como luzes piscando, o Código Morse é a única forma de modulação existente que pode ser entendido por uma pessoa sem a uso de computadores. Ele também pode ser utilizado em qualquer idioma que utilize o alfabeto latino.

A história elétrica desse sistema fascinante

Criado por Samuel Morse em 1835, o código Morse surgiu para ser a linguagem utilizada na transmissão de mensagens através do telégrafo elétrico. O aparelho funcionava emitindo pulsos elétricos através de cabos a um eletroímã que, por sua vez, recebia a mensagem e fazia o registro dos sinais em uma fita de papel.

Telégrafo Elétrico
Telégrafo Elétrico

Morse inicialmente pensava em transmitir apenas números e utilizar um dicionário para relacioná-los com as palavras, mas por fim criou códigos também para as letras, permitindo assim a transmissão de mensagens mais complexas. Tendo como referência a língua inglesa, escolheu as sequências menores para as letras mais utilizadas neste idioma.

Nos anos seguintes o código sofreu alterações. Em 1948, onze letras foram alteradas na Alemanha e passou-se a adotar estas alterações como o padrão internacional, oficializado em 1865 pelo Congresso Internacional Telegráfico. A linguagem também passou a ser utilizada no rádio e os pontos e traços foram transformados em sons curtos e sons longos.

Foi amplamente utilizado no período da I Guerra Mundial e até hoje não foi ultrapassado por nenhum outro sistema de codificação de informação eletrônico. Até o ano de 1999, foi utilizado como o padrão internacional para comunicações marítimas.

Em 2004, foi inserido o código “AC” para representar o @. Esta foi a única alteração feita desde a I Guerra Mundial.

Como utilizar o Código Morse?

O Código Morse prima pela simplicidade. Seguindo a tabela de códigos é bastante fácil aprender a representação de cada sinal, lembrando que não se faz diferença entre letras maiúsculas ou minúsculas. Porém mais importante que reconhecer os dits e dahs, é preciso saber reconhecer os intervalos entre letras e palavras. São quatro:

1. Intervalo entre caracteres (entre pontos e traços)

2. Intervalo curto (entre letras)

3. Intervalo médio (entre palavras)

4. Intervalo longo (entre frases)

Lendo no papel é fácil de identificar, mas para o som e o piscar de luzes fica um pouco mais complicado. Um dah tem a duração de 3 dits e o tempo de um dit é utilizado para o intervalo entre caracteres, o de um dah para os intervalos curtos. Usa-se o período de 7 dits para o intervalo médio e 4 dahs para o Intervalo longo.

Código Morse Internacional
Fonte: Blog Professor Flaverlei

Números e pontuações também estão representados. Existem ainda códigos especiais com o fim da mensagem AR (.-.-.), espere por 10 segundos AS (.-...) e recebido R(.-.).

Então será que você já consegue decifrar a mensagem a seguir?

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Ainda é usado nos dias de hoje?

Para além de reviravoltas cinematográficas, hoje o Código Morse é utilizado normalmente por escoteiros e radioamadores. Sendo parte da grade curricular do exame para licença de radioamadores no mundo todo.

radiodifusor

Também tem sido utilizado em competições de altas velocidades, nas quais os operadores de Código Morse costumam sair vencedores tendo um desempenho muito superior aos usuários de SMS por celular.

Alguns músicos também aproveitam para inserir mensagens codificadas em suas melodias. Está presente na música clássica, em Wireless Fantasy, de Vladimir Ussachevsky, mas é no rock'n roll que se faz mais evidente, em músicas como a YYZ do Rush, em A Revolta dos Dândis II dos Engenheiros do Hawaii e no pedido de socorro feito pela guitarra do Iron Maiden na música Empire of the Clouds, que narra o acidente sofrido pelo dirigível britânico R101, na sua primeira viagem em 1930.

Obs: A mensagem cifrada lá em cima diz HiperCultura é 10!

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