7 curiosidades sobre a antiga cidade de Machu Picchu


Machu Picchu é uma cidade construída pela civilização Inca no século XV. A sua excelente preservação, a qualidade da sua arquitetura e a deslumbrante vista da montanha fizeram de Machu Picchu um dos sítios arqueológicos mais famosos do mundo hoje, e o ponto turístico mais visitado do Peru.

Sua história e seu propósito foram um mistério durante muito tempo, porém, devido aos estudos do explorador Hiram Bingham e outros historiadores, já podemos conhecer muitos fatos interessantes sobre essa cidade.

1. Ela foi "descoberta" por acidente

Vilcabamba
Ruínas da cidade de Vilcabamba

Em 1911, o professor de História Hiram Bingham tentava encontrar o último lugar onde estiveram os Incas de Vilcabamba. Guiado por um menino da região de Mandorpampa, Bingham chegou às ruínas de Machu Picchu e pensou que este era o lugar onde os Incas se estabeleceram depois de perder seu território.

Porém, a verdadeira Vilcabamba foi descoberta apenas na década de 1950, após a morte do professor Bingham.

2. Então ela não é realmente uma cidade perdida

Machu Picchu
Machu Picchu, apesar de escondida, não era a cidade Inca perdida.

Vilcabamba, a cidade que o professor Hiram Bingham procurava quando encontrou Machu Picchu em 1911, era uma capital oculta para onde os Incas escaparam depois que os conquistadores espanhóis chegaram em 1532. A cidade ficou conhecida como a lendária Cidade Perdida dos Incas.

Já o propósito de Machu Picchu foi um mistério durante muitos anos. Segundo alguns estudiosos, a cidade era uma propriedade real construída para o rei Inca Pachacutec. Outros especulam que a cidade Inca era um centro sagrado onde as grandes mentes políticas, religiosas e econômicas do Império Inca se reuniam.

Mas o que sabemos é que Machu Picchu não era perdida, nem esquecida. Pesquisas recentes mostram que quando Bingham chegou, três famílias de agricultores estavam vivendo no local. 

Apesar disso, como ela estava localizada entre duas montanhas e era invisível para quem olhasse de baixo, ela foi uma das únicas cidades construídas pela civilização Inca que não foi destruída pela conquista espanhola.

3. Ela resiste a terremotos

Ashlar
O tipo de construção utilizado permitiu que a cidade resistisse aos abalos sísmicos 

As pedras empilhadas nas construções Incas não usavam argamassa, ou qualquer outra coisa para unir as rochas. As pedras de granito eram cortadas com tanta precisão, e encaixadas tão intimamente, que nem mesmo uma faca poderia ser inserida entre elas.

Esse tipo de construção, chamado Ashlar, foi muito importante para a conservação da cidade, pois ele impede que os edifícios desmoronem durante terremotos.

O Peru é um país que se encontra em uma zona de instabilidade sísmica da Terra, e própria cidade de Machu Picchu foi construída entre duas falhas geológicas. Porém, devido a esse modelo de construção, quando ocorre um terremoto as pedras dos edifícios saltam juntas, e depois voltam para o mesmo lugar.

4. Ela foi construída sem o uso de animais de carga, de rodas ou ferramentas de ferro

Contrução Inca
A cidade era formada por grandes pedras de granito

Os projetos de engenharia civil dos Incas eram incrivelmente avançados, especialmente se considerarmos que essa civilização não usava animais de carga, ferramentas de ferro ou rodas.

O local que vemos hoje teve que ser esculpido entre duas montanhas, movendo pedras e terra, até criar um espaço plano.

O engenheiro Kenneth Wright estimou que 60% da construção realizada em Machu Picchu estava subterrânea, e as próprias pedras removidas durante o nivelamento foram utilizadas para construir os edifícios.

5. Já não se pode andar livremente pelas ruínas

Ruínas de Machu Picchu
Ruínas de Machu Picchu

As regras sobre a visitação da cidade têm mudado e se tornado cada vez mais restritivas, com o objetivo de reduzir os danos à cidade.

Machu Picchu foi declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1983, e durante os primeiros anos após o título, a cidade costumava receber pouco mais de 100 mil visitantes por ano. Porém, após Machu Picchu ser nomeado uma das novas 7 maravilhas do mundo moderno, o número de turistas aumentou consideravelmente. Só em 2016, a cidade recebeu 1.419.507 visitantes.

Isso criou um alerta, pois a cidade poderia não comportar esse número elevado de pessoas. Então, a Unesco ameaçou incluir Machu Picchu na lista de patrimônios em risco, caso o Governo peruano não criasse medidas de conservação do sítio arqueológico.  

As novas regras criadas para garantir a preservação da cidade foram aplicadas em julho de 2017, e a dinâmica das visitas foi bastante afetada. Antigamente, era possível permanecer durante todo o dia no sítio arqueológico, sem a necessidade de guia, e era permitido caminhar livremente sobre as ruínas.

Com as novas regras, torna-se obrigatório a presença de um guia, e já não são vendidos ingressos para o dia todo, apenas para determinados turnos. Também não é mais possível caminhar livremente pela cidade, apenas por um dos 3 caminhos agora demarcados.

6. É possível subir nas montanhas que cercam a cidade antiga

Vista de Huayna Picchu
Vista de cima da montanha Huayna Picchu

A cidade Inca é localizada entre duas montanhas, a Huayna Picchu e a Machu Picchu, que é o motivo da cidade receber tal nome.  

Os turistas que visitam a antiga cidade Inca também podem subir nessas montanhas e ter uma vista incrível da cidade. Porém, caso você queira subir a montanha de Huayna Picchu (aquele pico que aparece atrás das fotos da cidade), é necessário reservar sua entrada com muita antecedência, pois apenas 400 pessoas podem subir a cada dia.

Já a montanha Machu Picchu, que se encontra do outro lado da cidade, é mais acessível, pois são permitidas 800 pessoas por dia. Além disso, apesar de ambas terem um trajeto de 2km até o topo, a montanha Machu Picchu possui uma maior altitude.

7. Sua localização é extremamente bem pensada

Duas montanhas
A cidade foi construída entre duas montanhas sagradas 

Além da cidade de Machu Picchu estar em um ponto estratégico em questão de segurança, a escolha do local e a orientação das estruturas mais importantes de Machu Picchu também foram fortemente influenciadas pela localização das montanhas sagradas próximas, considerando seus Apus, que são os espíritos divinos de cada montanha.

Uma pedra em forma de flecha no topo de uma dessas montanhas, a Huayna Picchu, parece apontar para o sul, passando pela famosa pedra Intihuatana e seguindo até o Monte Salcantay, um dos mais reverenciados Apus da cosmologia Inca.