Saiba quem é Anúbis, o deus chacal no Antigo Egito


Anúbis é o deus da morte na mitologia egípcia. Já viu a imagem do cachorro preto deitado perto de um sarcófago ou do homem com cabeça de chacal? Achou sinistro? Pois saiba que é dessa divindade que estamos falando. Suas principais atribuições são a condução dos mortos aos céus e a proteção dos cemitérios. Segundo o mito de Osíris, Anúbis é o primeiro embalsamador.

Anubis cão
O cão é uma das representações do deus egípcio Anúbis.

Significado de Anúbis

Para saber quem é Anúbis, vamos começar pelo seu nome. Na língua egípcia, Anúbis é Anupu, nome que vem de inepe - que significa "apodrecer". Só pela origem do nome já se pode ter uma ideia das atribuições desse deus com cara de cachorro.

O que Anúbis faz?

Como deus dos mortos, suas principais funções eram as seguintes:

  1. Guiar a alma das pessoas mortas para o céu, facilitando sua entrada nas regiões celestes.
  2. Guardar os cemitérios. Daí ele ser conhecido pelo apelido de Nebtadjeser, que significa "Senhor da Terra Sagrada", sendo a "Terra Sagrada" o cemitério.
  3. Guardar a múmia.
  4. Proteger os túmulos.
Anúbis
Relevo pintado no templo mortuário de Seti I mostra Anúbis purificando o faraó.

Por que Anúbis era o deus cachorro ou o deus chacal no Antigo Egito?

A origem da associação entre o deus Anúbis e os canídeos, sejam eles cães ou chacais, está na observação do comportamento das matilhas que viviam no deserto, onde ficavam os cemitérios no Antigo Egito.

Atraídos pela carniça das valas mais rasas, esses canídeos costumavam rondar os cemitérios, como se zelassem pelo espaço dos mortos. Daí a aproximação entre o cão ou o chacal com a "Terra dos Mortos" e, portanto, com Anúbis. Segundo a crença, Anúbis se manifestava nesses canídeos que "guardavam" as necrópoles.

Anúbis cachorro
Estátua da divindade canina Anúbis: guardião dos túmulos e guia dos espíritos rumo ao além.

Mas tem mais uma curiosidade interessante sobre a divindade cão: a cor preta.

Segundo o especialista em egiptologia George Hart, a cor preta do cachorro nas representações artísticas de Anúbis se explica por razões simbólicas. O preto tem a ver com a coloração que o corpo adquire durante o processo de mumificação.

Outra explicação para a cor preta é o seu significado para os antigos egípcios. O preto era a cor que simbolizava o além, mas também a fertilidade e a renascença.

Mitologia egípcia: relação de Anúbis com os deuses Osíris e Ísis

De acordo com o historiador grego Plutarco (46-120 d.C.), Anúbis era filho bastardo de Osíris com Néftis. Ísis, que era irmã e esposa de Osíris, acaba assumindo Anúbis como seu próprio filho. Daí a tradição de chamar Anúbis de "Filho de Ísis". Em algumas representações, Anúbis aparece como um cão ao lado de Ísis.

Diz a lenda que foi Anúbis quem embalsamou e preparou os rituais funerários de Osíris, o primeiro faraó do mundo dos vivos, numa época em que os seres humanos coabitavam a Terra com os deuses. Osíris é o deus do renascimento ou deus da vida após a morte.

Leia também: A história de Osíris, Ísis e Hórus: como o mito influenciou a vida no antigo Egito

Anúbis: o primeiro embalsamador

Anúbis
Desenho de Anúbis preparando o corpo do artesão Sennedjem, sepultado em Deir el-Medina.

A mumificação de Osíris teria sido a primeira, segundo o mito. Desde então, toda cerimônia fúnebre seguiria os procedimentos desenvolvidos por Anúbis. Por isso, ele era cultuado no Antigo Egito como mestre da mumificação ou chefe dos sacerdotes embalsamadores.

Vale dizer que, nas representações artísticas, os sacerdotes egípcios responsáveis por embalsamar corpos, conhecidos como ut, quase sempre apareciam usando uma máscara de cachorro.

Graças a Anúbis e seu conhecimento das práticas do embalsamento, foi possível que os mortos conseguissem superar a decomposição física do corpo e atingir a eternidade.

Adoração do deus Anúbis no Antigo Egito

Em textos muito antigos há referências a Anúbis como deus dos mortos. Nos Textos das Pirâmides, escritos há mais ou menos seis mil anos, faz-se alusão a esse deus como protetor das almas das pessoas que já morreram. Nas paredes de túmulos antigos, conhecidos como mastabas, foram encontradas orações pedindo a proteção a Anúbis.

O culto à divindade cão começou provavelmente em Tínis, capital das primeiras dinastias do Antigo Egito. Mas ao longo dos anos sua popularidade cresceu, e Anúbis passou a ser venerado em quase todos os lugares do Egito como o deus dos mortos ou divindade funerária. Há muitas referências a ele em túmulos e sarcófagos da época do Antigo Egito.

Apesar de sua popularidade, não havia templos independentes dedicados a Anúbis. A única exceção era na cidade de Cinópolis, capital da 17ª província do Alto Egito, onde era a divindade tutelar.

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