Quem é Gaia, a deusa da Terra nas mitologias grega e romana


Gaia é a deusa da Terra ou simplesmente Mãe-Terra nas mitologias gregas e romana. Segundo o poeta Hesíodo, Gaia é a personificação do mundo se formando. É a própria Terra divinizada. Por tudo isso, Gaia é a base de todas as outras coisas que vieram depois dela. Surgida do Caos, ela é a origem de tudo, a fonte de toda a matéria: do céu, das montanhas e dos mares.

Assim, após surgir do nada, Gaia gerou espontaneamente (ou seja, sem fertilização) três filhos: Urano (divindade que representa o Céu), Óreas (as Montanhas) Céu e Ponto (o Mar). Ao menos é isso que diz Hesíodo no poema mitológico Teogonia (ou Genealogia dos Deuses).

Céu e Terra mais tarde se uniram. Sim, por mais estranho que isso possa parecer, Gaia fez de seu filho Urano seu marido. Dessa relação nasceram, por exemplo, os 12 Titãs. É por isso que Gaia também é chamada de Titeia: a mãe dos Titãs.

São vários os filhos de Gaia, e o número costuma variar de acordo com a versão da genealogia dos deuses. Da sua união com Ponto, nasceram Nereu, Fórcis, Taumas, Ceto e Eríbia - todas elas divindades marinhas. Com Tártaro, deus do Mundo Inferior, teve Tífon ou Tufão, gigante que, segundo a crença, era responsável pelos ventos.

deusa Gaia
Busto de bronze romano do século I mostra Gaia, a deusa Mãe, amamentando uma criança.

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Os atributos da Mãe-Terra

Bom, já deu pra perceber que Gaia era bem importante para os gregos, principalmente em Atenas, centro da Grécia Antiga. Prova disso era a existência de festas públicas dedicadas a Gaia.

E toda essa adoração tinha uma razão bastante clara: os vários atributos da deusa da Terra. Além de criadora, ela também era a deusa protetora não apenas dos deuses, mas de todos os mortais. Ah, nem precisa dizer que, se a Mãe Gaia criou tudo, ela gerou a humanidade também.

Como é possível notar, um dos principais atributos de Gaia era a fertilidade. Tanto a fertilidade do solo quanto a fecundidade - a capacidade de gerar filhos. Por isso, Gaia era a deusa que governava os casamentos.

Mas há outro aspecto de Gaia que pouca gente conhece: ela era também uma divindade funerária. Da mesma forma que Gaia gera, dando início a todo o ciclo da vida, ela também tem papel central no encerramento desse ciclo. Segundo o escritor romano Cícero, os gregos adotaram a prática de enterrar os mortos, em vez de cremá-los, para assegurar o retorno ao seio materno. No caso, a Mãe-Terra, Gaia.

A lenda de Gaia e Urano

Urano e Cronos
A Mutilação de Urano por Saturno (Cronos), dos artistas renascentistas Giorgio Vasari e Cristofano Gherardi.

Esta é uma das lendas mais fascinantes da mitologia grega. E também uma das mais horripilantes.

Como já dissemos, Urano é filho e marido de Gaia. Dessa união (bastante fértil, aliás), surgem, além dos 12 Titãs, seis criaturas monstruosas: três Ciclopes, que eram gigantes imortais que tinham apenas um olho no meio da testa, e três Hecatônquiros, gigantes que possuíam cem mãos e cinquenta cabeças.

Urano não gostou do que viu. Logo de cara, detestou seus filhos, a ponto de não querer vê-los em liberdade. Sabe o que pai desnaturado fez? Conforme as crianças nasciam, ele as encarcerava no ventre materno - nas entranhas da Terra.

Outra versão do mito diz que o cárcere para o qual Urano enviava seus filhos era o Tártaro - o Mundo Inferior ou os quintos dos Infernos. Seja como for, o destino das pobres criaturas era a reclusão no interior da Terra. E, como é de se esperar, isso gerou algumas reações.

A primeira delas foi o ódio dos filhos e, evidentemente, da mãe. Diante de tamanha crueldade, Gaia clamou a seus filhos por ajuda. E só foi atendida pelo último filho a nascer: Cronos, o Titã do tempo. O deus romano equivalente a Cronos é Saturno.

Como diz o provérbio: a vingança tarda, mas não falha. E o ódio acumulado contra as atitudes de Urano uma hora transformou-se em reação. Gaia forneceu a seu filho Cronos uma foice. E foi com essa foice que Cronos mutilou (mais especificamente, castrou) seu próprio pai no momento em que este, na calada da noite, tentava seduzir Gaia.

Nascimento dos Gigantes, das Erínias e da deusa Afrodite

O golpe foi certeiro. O sangue jorrou do ferimento e caiu sobre Gaia, fertilizando-a mais uma vez. Assim nasceram os Gigantes, seres colossais e indomáveis. Também nasceram as Erínias, divindades que personificavam a vingança. Além das Melíades, as ninfas do freixo.

Algumas gotas de sangue caíram no mar. Da espuma gerada por uma onda nasceu Afrodite, deusa do amor e da beleza. Diz a lenda que Cronos, após mutilar seu pai, atirou a foice no mar. Onde a arma caiu surgiu a ilha de Corfu, próxima à costa noroeste da Grécia. De acordo com a Teogonia de Hesíoso, é nesse momento que se inicia o reinado de Cronos.

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